Revelado no Flamengo, o volante Vini Souza enfrentou na temporada passada o rebaixamento histórico do Wolfsburg na Bundesliga em seu primeiro ano no clube. Após a queda, o brasileiro, de 27 anos, vive nova fase e busca o acesso à elite nacional.
Em entrevista exclusiva ao 365Scores, Vini Souza definiu o rebaixamento como “baque muito grande” e citou um problema interno no Wolfsburg ao longo da temporada. De acordo com ele, a situação “era muito além dos jogadores”.
“O time já não vinha bem há três anos, mas nunca próximo a cair. Mas internamente já vinha com problemas que a gente foi acabar descobrindo no caminho da competição. Foi escapando das mãos dos jogadores e era muito além deles“, completou.
“Foi um baque muito grande. Quando está no início de tudo conversando com o clube, nunca vai passar pela cabeça o que vem a acontecer, ainda mais num clube tão histórico como o Wolfsburg. As primeiras semanas foram bem pesadas (pós-queda)“, disse o brasileiro ao 365Scores.
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Após o rebaixamento, Vini Souza foi alvo de clubes da Inglaterra, da Itália e da Alemanha, além da Arábia Saudita e do próprio Brasil. O volante, contudo, chegou a um acordo com o Wolfsburg e escolheu pela permanecer.
“Tiveram muitas propostas. Fiquei feliz com isso, mas (o Wolfsburg) é um clube muito rico, que não precisa de dinheiro, e colocaram na minha cabeça que vão fazer um time ao redor de mim. Então, deveria retribuir o que o Dieter Hecking (diretor) fez por mim. Em uma conversa conjunta, a gente bateu o martelo dois dias antes da janela fechar.”
Com contrato até junho de 2030, o brasileiro caminha para sua segunda temporada na Bundesliga após passagens de destaque pelo Sheffield United, da Inglaterra, e o Espanyol, da Espanha.

Veja outras respostas de Vini Souza ao 365Scores:
Sentimento do rebaixamento com o Wolfsburg
“Foi um baque muito grande. Quando está no início de tudo conversando com o clube, nunca vai passar pela cabeça o que vem a acontecer, ainda mais num clube tão histórico como o Wolfsburg.
As primeiras semanas foram bem pesadas (pós-queda). Tem mais um ano para tentar voltar à Bundesliga, e que também não vai ser fácil. Vai ser uma longa temporada, mas vamos dar o máximo para poder voltar com o Wolfsburg para onde ele realmente pertence. É um peso grande essa queda.”
Dificuldades e problemas ao longo da temporada de rebaixamento
“Eu descobri quando cheguei aqui. O time já não vinha bem há três anos, mas nunca próximo a cair. Mas internamente já vinha com problemas que a gente foi acabar descobrindo no caminho da competição. Foi algo que já tinha iniciado há três, quatro, anos atrás e infelizmente veio a bater justamente no ano que eu cheguei.
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Porque quando tivemos a primeira conversa, o tipo de jogadores que iriam trazer, a mentalidade era totalmente diferente. E você confia, acredita que vai dar tudo certo, porque como é que passa na cabeça que Wolfsburg vai cair? A caminho da temporada foi começando a aparecer cada vez mais.
Foi escapando das mãos dos jogadores e era muito além deles. Foi um ano muito difícil mentalmente. Mas esse ano mudou tudo, mudou a diretoria, foi uma renovação 100% do clube, do sub-12 ao profissional. Então, já consegue sentir uma nova energia, voltar com essa felicidade de voltar a treinar, de estar com os companheiros no clube, porque antes a gente não tinha esse sentimento.”
Adaptação na Alemanha
“Sou uma pessoa que se adapta em qualquer lugar. Já estive na Bélgica, me adaptei super rápido, na Espanha igual, amei a Inglaterra, e na Alemanha vim com o mesmo sentimento. A adaptação para mim não é difícil, já são quase 7 anos aqui.
Frio é frio em todo lugar, não tem jeito. O que é mais difícil é o idioma. Nos primeiros quatro meses, foi só inglês. Mudou o treinador e conversou em alemão, aí já fui fazendo aula. Fora de campo não faço praticamente nada, então não chego a ter essa rotina de falar em alemão com pessoas de fora.”
Momento artilheiro (2 gols em 6 jogos)
“Nos dois primeiros treinadores, eu era 6 (posição), não podia sair por nada (da área defensiva).Chegou o Dieter Hecking (diretor do Wolfsburg e técnico emergencial em março), e ele me dá a responsabilidade de defender, mas muitas vezes de ser esse ataque surpresa de entrar nos espaços, atacar a bola nos cruzamentos.
Agora com o Tobias (Strobl, atual técnico do Wolfsburg), ele vai me dando cada vez mais essa responsabilidade, de poder atacar o espaço e pisar na área. Estou gostando bastante dessa nova fase. Tenho a meta de fazer a minha temporada com mais finalizações (18), estou com nove em seis jogos.”
Escolha pela permanência no Wolfsburg e propostas na janela
“O Dieter Hecking falava que eu não ia sair, que ia contar comigo de qualquer maneira, fosse na primeira ou na segunda divisão. É algo que vai muito além do dinheiro. Tiveram muitas propostas, fiquei muito feliz com isso, mas é um clube muito rico, que não precisa de dinheiro, e ele (Hecking) colocou na minha cabeça que vão fazer um time ao redor de mim.
Então, deveria retribuir o que o Hecking fez por mim. Em uma conversa conjunta, a gente bateu o martelo dois dias antes da janela fechar.
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Eu sei que tinha a Inglaterra, a Itália e a própria Alemanha. Teve da Arábia também. Não sei os nomes porque eu deixo isso com o meu pai. Eu nunca pergunto, senão eu fico ansioso. E Brasil também teve bastante.”
Propostas de times relevantes nas últimas janelas
“Sempre tem bastantes (propostas), só que nunca acontece na reta final. No Espanyol, em cinco meses de clubes, foi absurdamente gritante, time grandes da Espanha. Acaba de não vir acontecer por míseros detalhes, sempre muito próximo. No Sheffield de novo, janela de janeiro e acaba não acontecendo de novo.
É difícil explicar, não tenho o que fazer. Nunca me soltavam os nomes. Na Espanha, Atlético de Madrid foi bem próximo. Na Inglaterra, falavam que ia dar certo, mas acabou não indo. Na Itália, também tinha bastante. Toda criança sonha um dia em jogar num clube desse, e, quando está próximo, você fica um pouquinho mais animado e pode acabar frustrado.”
Sonho de voltar à Premier League
“A Premier League me mudou de uma forma incrível. Eu tinha um pensamento antes da Premier League, e depois que eu passei por lá me tornei outro jogador. Claro que tenho o sonho de retornar um dia. Me ajudou bastante a entender o jogo, reagir sem e com a bola, movimentar.
Sou muito grato ao Sheffield, um time que dispensa comentários. Desejo que retorne (à Premier League) o mais rápido possível.”
Diferenças em enfrentar Real Madrid e Barcelona
“São muito acima do normal, mas são bastante diferentes. Com o Real Madrid você tem espaço para jogar, só que tem jogadores que em dois segundos resolvem tudo. O Barcelona é totalmente diferente, é perde-pressiona, muito rápido, e tem o derby da cidade (Barcelona x Espanyol). Nós jogamos fora de casa, 92 mil pessoas, foi um jogo histórico (1×1). Vai ser legal contar para o meu filho um dia.”
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