A seleção de Cabo Verde fará sua estreia em Copas do Mundo às 13h (de Brasília) desta segunda-feira (15), contra a Espanha. Entre os prováveis titulares dos “Tubarões Azuis“, o zagueiro Roberto Lopes, conhecido como Pico, chama atenção pela importância dentro de campo e pela curiosa trajetória que o levou à seleção cabo-verdiana.
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A convocação que chegou pelo LinkedIn
Nascido e criado em Dublin, na Irlanda, Pico defendeu apenas as categorias de base da seleção irlandesa e via cada vez mais distante a possibilidade de atuar pela equipe principal. Foi então que, em meio à rotina no futebol local, recebeu uma mensagem inesperada no LinkedIn.
O remetente era Rui Águas, técnico de Cabo Verde à época, que tentava convencer o defensor a representar o país de origem de seu pai. Desconfiado, Pico ignorou a abordagem inicial, acreditando se tratar de uma tentativa de golpe. Nove meses depois, porém, o treinador voltou a entrar em contato.
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Desta vez, o treinador mandou uma mensagem em inglês, questionando se o atleta havia considerado a possibilidade de defender os “Tubarões Azuis”. Roberto Lopes percebeu que a proposta era verdadeira e decidiu abraçar a oportunidade.
“Desde pequeno nos ensinam a desconfiar de mensagens ou ligações estranhas, então achei que fosse um spam. Eu deveria ter usado o Google Tradutor antes. Era algo que sempre quis e no qual adoraria estar envolvido. Tive a sorte de a oportunidade ter aparecido de novo e, desde então, tem sido uma aventura incrível”, disse à Fifa.
A aproximação com as origens cabo-verdianas
Filho de Carlos “Caluccha” Lopes, que deixou Cabo Verde aos 16 anos antes de se estabelecer na Irlanda, Pico passou a fortalecer os laços com o país de origem da família após a convocação para a seleção.
Além da oportunidade esportiva, vestir a camisa cabo-verdiana proporcionou uma reaproximação com familiares e com a própria identidade. O zagueiro conta que conheceu parentes, passou a visitar o país com mais frequência e viu o pai resgatar um orgulho que havia ficado adormecido com o passar dos anos.
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“Depois da convocação, aproveitei para tentar conhecer melhor minhas origens. Agora não paro mais de falar sobre isso. Foi especial também para o meu pai: ele fica todo orgulhoso quando as pessoas reconhecem de onde ele vem. Ele adora isso”, afirmou.
“É um grande acontecimento no país, também. Meu avô ainda vive lá e tem uma fazenda, então o sentimento de orgulho na família é muito grande. Conheci vários primos nesses últimos anos e é muito emocionante. Cada vez que volto, eu me sinto mais cabo-verdiano”, completou.
De mensagem ignorada a protagonista na primeira Copa
Desde sua estreia pela seleção, em 2019, Roberto Lopes se consolidou como um dos pilares do sistema defensivo de Cabo Verde. O defensor participou ativamente da campanha que garantiu a classificação inédita ao Mundial de 2026 e chega ao torneio como um dos líderes do elenco.
No futebol de clubes, Pico defende o Shamrock Rovers, da Irlanda, onde também construiu uma trajetória vitoriosa. O zagueiro foi peça importante nas recentes conquistas nacionais da equipe, que levantou cinco títulos irlandeses nas últimas seis temporadas.
Agora, diante da Espanha, o zagueiro terá a oportunidade de escrever mais um capítulo de sua improvável trajetória: disputar a primeira Copa do Mundo da história de Cabo Verde após ignorar, anos atrás, a mensagem que mudaria sua vida.
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